
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Fernando Pessoa
PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Que coisa boa...
Cidade pequena
Do interior
Dia de verão
À tardinha
Depois do banho
Cabelos penteados
Molhados
Vestido levinho
Sandálias macias
Perfume de alfazema
Caminhada até a sorveteria
É só pra passear
É só pra ir tomar sorvete
Mas é cheia de faceirice e de orgulhos
É cheia de um ar de felicidade
É plena e segura essa caminhada
A mão do pai garante o passeio
E ele conhece o sabor preferido do sorvete
Essa é uma caminhada completa
Completamente boa!
Do interior
Dia de verão
À tardinha
Depois do banho
Cabelos penteados
Molhados
Vestido levinho
Sandálias macias
Perfume de alfazema
Caminhada até a sorveteria
É só pra passear
É só pra ir tomar sorvete
Mas é cheia de faceirice e de orgulhos
É cheia de um ar de felicidade
É plena e segura essa caminhada
A mão do pai garante o passeio
E ele conhece o sabor preferido do sorvete
Essa é uma caminhada completa
Completamente boa!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Transtorno Esquizoafetivo
Transtorno Esquizoafetivo é o diagnóstico do meu transtorno psíquico. Tem semelhança com Transtorno Bipolar porque apresenta alterações de humor, alterna momentos de euforia com outros de depressão. Mas é mais grave porque tem, associado, psicose. Assim, euforia é surto, e depressão é quase morte. Penei muito. Outra hora vou escrever um depoimento falando tudo como foi, como tem sido. Me trato. Com um psiquiatra faço psicoterapia e sou medicada, tomo dois remédios, um para moderar o humor e outro pra controlar a psicose. Com um psicólogo faço Acompanhamento Terapêutico. Estou melhor, mas instável, tenho altos e baixos na minha melhora. Escrever, que sempre escrevi, ajuda muito.
Vida
Há sempre coisas e mais coisas que impedem coisas na vida, não é assim?
Viver é não saber que se vive. Procurar o sentido da vida, sem mesmo saber se algum sentido tem, é tarefa de poetas e neurastênicos. Só uma visão de conjunto pode aproximar-se da verdade. Examinar em detalhe é criar novos detalhes. Por debaixo da cor está o desenho firme e só se encontra o que não se procura. Porque eu não me esqueço de viver... para viver?
Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto...
A vida tem a incoerência de um sonho. E quem sabe se realmente estaremos a dormir e a sonhar e acabaremos por despertar um dia? Será a este despertar que os religiosos chamam Deus?
Viver é não saber que se vive. Procurar o sentido da vida, sem mesmo saber se algum sentido tem, é tarefa de poetas e neurastênicos. Só uma visão de conjunto pode aproximar-se da verdade. Examinar em detalhe é criar novos detalhes. Por debaixo da cor está o desenho firme e só se encontra o que não se procura. Porque eu não me esqueço de viver... para viver?
Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto...
A vida tem a incoerência de um sonho. E quem sabe se realmente estaremos a dormir e a sonhar e acabaremos por despertar um dia? Será a este despertar que os religiosos chamam Deus?
Rita Lee
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso digo
Eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso digo
Eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Apenas uma história um pouco confusa
A história está em andamento. Existe um misto de desilusão e de contentamento. Como é que pode isso? Isso simplesmente acontece. Não é que possa, é que acontece assim. Acontece assim porque tudo onde estamos metidos e tudo o que nos rodeia faz que seja assim.
De desilusão eu sei bastante. De contentamento também. Agora é ficar na espreita para ver o que é que vem. Também tentar fazer acontecer o melhor.
Talvez a memória seja curta. Talvez a amnésia ataque um bando de gente. Talvez apenas queiram esquecer para não se comprometer.
E eu só pergunto para onde é que foram as noções de ideal? O que será que vão fazer agora com o que é real?
Será que não percebem mais o aspecto revolucionário da religião? Será que não serão mais fiéis ao lado religioso da revolução?
E o amor? O amor que deveria estar permeando tudo ao mesmo tempo... O amor que quase não tem mais vez nesse mundo de produtos. Produtos que são inventados para criarem necessidades e precisarem ser comprados e, assim, serem vendidos. Produtos que, uma vez vendidos, geram condições para que outros produtos sejam criados, vendidos e comprados. Tudo se vende e tudo se compra. Tudo pode ser vendido e tudo pode ser comprado. Exceto o amor. O amor que quase não tem mais vez neste mundo de compra e venda, porque o amor não é um produto.
Tudo bem. Assim funciona e não há como escapar. Mas em troca disso quantos abdicaram da possibilidade de amar?
E no fundo nem é tanto assim o que precisamos. Podemos ser simples, básicos, não consumistas.
Eu vi. Eu vi bem de perto. Eu vi várias pessoas que não tinham. Eu vi pessoas que não tinham batalharem pra ter. Eu também vi pessoas tendo muito. Vi pessoas tendo tudo que se pode sonhar em ter. E, algumas vezes, essas mesmas pessoas eram infelizes, não sabiam amar. Eu vi essas pessoas, que deveriam estar realizadas, insatisfeitas. É que se corromperam. Se venderam e desaprenderam o amor em nome desse outro tipo de valor. Não se importam com mais nada, com mais nada que seja puro. Essas pessoas estão com tudo, mas estão vazias e insatisfeitas. Estão esvaziadas da possibilidade de amar. Transformaram as relações em jogos de interesse e de conveniências. Depois, quando vão deitar, sentem um vazio que nunca se preenche. E nunca vai se preencher. Nunca mais essas pessoas serão capazes de entender, porque tudo o que fizeram, tudo o que aprenderam, tudo o que ela têm feito foi desembocar numa condição imposta de ter que sempre se vender, para sempre estarão submetidas a serem pessoas vendidas. E junto com isso vem uma coisa que vai fazendo a pessoa ficar cada vez mais bruta, cada vez mais sem sentir, cada vez mais fria, rápida, eficiente no mercado, mas fria, cada vez mais sem saber onde está o seu pedaço de verdade. Cada vez mais pessoas capazes de vender e comprar, mas impedidas de amar.
E agora? O que fazer com isto? O que isto é? Uma barbaridade? Uma afronta à verdade? Isto é uma provocação ou isto é apenas um jogo estratégico para buscar alguma solução?
De desilusão eu sei bastante. De contentamento também. Agora é ficar na espreita para ver o que é que vem. Também tentar fazer acontecer o melhor.
Talvez a memória seja curta. Talvez a amnésia ataque um bando de gente. Talvez apenas queiram esquecer para não se comprometer.
E eu só pergunto para onde é que foram as noções de ideal? O que será que vão fazer agora com o que é real?
Será que não percebem mais o aspecto revolucionário da religião? Será que não serão mais fiéis ao lado religioso da revolução?
E o amor? O amor que deveria estar permeando tudo ao mesmo tempo... O amor que quase não tem mais vez nesse mundo de produtos. Produtos que são inventados para criarem necessidades e precisarem ser comprados e, assim, serem vendidos. Produtos que, uma vez vendidos, geram condições para que outros produtos sejam criados, vendidos e comprados. Tudo se vende e tudo se compra. Tudo pode ser vendido e tudo pode ser comprado. Exceto o amor. O amor que quase não tem mais vez neste mundo de compra e venda, porque o amor não é um produto.
Tudo bem. Assim funciona e não há como escapar. Mas em troca disso quantos abdicaram da possibilidade de amar?
E no fundo nem é tanto assim o que precisamos. Podemos ser simples, básicos, não consumistas.
Eu vi. Eu vi bem de perto. Eu vi várias pessoas que não tinham. Eu vi pessoas que não tinham batalharem pra ter. Eu também vi pessoas tendo muito. Vi pessoas tendo tudo que se pode sonhar em ter. E, algumas vezes, essas mesmas pessoas eram infelizes, não sabiam amar. Eu vi essas pessoas, que deveriam estar realizadas, insatisfeitas. É que se corromperam. Se venderam e desaprenderam o amor em nome desse outro tipo de valor. Não se importam com mais nada, com mais nada que seja puro. Essas pessoas estão com tudo, mas estão vazias e insatisfeitas. Estão esvaziadas da possibilidade de amar. Transformaram as relações em jogos de interesse e de conveniências. Depois, quando vão deitar, sentem um vazio que nunca se preenche. E nunca vai se preencher. Nunca mais essas pessoas serão capazes de entender, porque tudo o que fizeram, tudo o que aprenderam, tudo o que ela têm feito foi desembocar numa condição imposta de ter que sempre se vender, para sempre estarão submetidas a serem pessoas vendidas. E junto com isso vem uma coisa que vai fazendo a pessoa ficar cada vez mais bruta, cada vez mais sem sentir, cada vez mais fria, rápida, eficiente no mercado, mas fria, cada vez mais sem saber onde está o seu pedaço de verdade. Cada vez mais pessoas capazes de vender e comprar, mas impedidas de amar.
E agora? O que fazer com isto? O que isto é? Uma barbaridade? Uma afronta à verdade? Isto é uma provocação ou isto é apenas um jogo estratégico para buscar alguma solução?
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